Ela me ligou e disse que eu era uma má influencia. Disse em tom de deboche que exaltar o errado já era banal, de fato, algo bastante trivial.
Não poupou palavras para me lembrar o quão perturbada era isso que eu chamava de alma. Não sei ao certo se ela era cruel ou apenas desesperada.
A verdade é que eu, já nem sei ao certo o que é ser uma influência, não sei o que é rebeldia, nem como é quando ela ocorre as avessas.
Me rebelo contra o sistema ao não permitir que meu corpo seja invadido por fluídos corporais alheios? Ou sou rebelde quando permito que a fumaça destrua meus pulmões? Deveria eu, afinal, ser rebelde?
Eles bradam aos 7 ventos conceitos a serem seguidos e outros a serem rejeitados. Gostaria de pensar que são apenas dois lado, mas não. São muitos lados, todos de certa forma, ou de alguma forma, errados.
Ela diz que eu deveria me importar. Que é álcool é fuga, desculpa.
Talvez sim, talvez não. O que na minha vida é somente fruto da desilusão?
Reflexão. Eles refletem em si e querem refletir em mim, refletir o certo, o errado. Querem que eu seja a drogada, a santa, garota atormentada, querem me provar que o caminho "x" é diferente do caminho "y".
Usam de falácias absurdas ao declarar suas supremas verdades.
Mas seria a única verdade absoluta o fato de não existirem verdades realmente absolutas? Contradição. Enganação. Ou não?
Quem sou, ou quem deveria ser já não me importa mais.
Sem hipocrisia, não quero estar certa, não quero estar errada, não quero ser boa, não quero ser má, no final... não quero ser nada.
Estou bem cansada dessas rimas vazias que não chegam em lugar nenhum, em conclusão alguma.
Tenho críticas, elogios, teorias e mais teorias.
Dispenso.
Meu cinzeiro está cheio, preciso limpar. Meu cabelo está bagunçado, mas por que deveria me importar?
A luz é fraca, a música suave. Enquanto eles discutem permaneço aqui, inerte e imóvel.
Devaneio.


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